Justiça – Para quem…

Falar em Justiça é uma “faca de dois gumes”. Vou explicar porque, no meu ponto de vista. As Leis existem, foram criadas, votadas e aprovadas. Entretanto, além das “brechas” que estão em cada artigo, em cada parágrafo, ainda existem as interpretações destas mesmas Leis. Difícil e até injusto, para aceitarmos, mas lembre-se, sempre há os dois lados. Isso se aplica em todo o contexto de Justiça. Seja ela, no Direito Penal, Trabalhista, Cível, Tributário e outros. No caso da área criminal há de se pensar e repensar. Quem é suspeito, depois de todo inquérito instaurado e concluso, passa a ser acusado, como fica a Justiça? Do outro lado está a vítima, que em muitos casos, foi assassinada ou ficou com sequelas irreversíveis (ou não) e aí? O autor vai a Júri Popular e acaba sendo até condenado, como foi no caso do vigilante Willian Sena da Silva, ocorrido em Uberlândia nessa quarta-feira (12). Depois de três anos da monstruosidade cometida, homicídio triplamente qualificado, ele foi condenado a 17 anos de prisão em regime fechado.

Relembre o caso:

Na manhã de segunda-feira, dia 07, a polícia é chamada no Distrito Industrial, zona norte da cidade, motivo: Um corpo carbonizado, possivelmente de uma mulher, foi encontrado em um terreno baldio. Imediatamente, familiares da consultora de vendas foram até o local e reconheceram o corpo da jovem. Uma das provas eram pedaços de tecidos e pertences pessoais, como o plástico azul que era usado para cobrir o carro dela, já que o fogo deixou o corpo irreconhecível. A crueldade sem tamanho, Deiviane Melo foi estrangulada e queimada ainda viva, conforme laudos da Perícia da Polícia Civil de Uberlândia, que também realizou o exame de DNA. Não haviam mais dúvidas, o que parecia inaceitável, era mesmo uma realidade dura, cruel e sem qualquer justificativa.

Por outro lado, Willian Sena, não deixou transparecer nada. Pelo contrário, parecia tranquilo, mas teve tempo para fugir. Aí eu pergunto: nem mesmo o filho de 13 anos foi capaz de frear tal monstruosidade? Mas o “passeio” de Willian não durou muito. A Delegacia de Homicídios, chefiada por Rafael da Silva Herrera instaurou inquérito e os trabalhos de toda a equipe foram se intensificando com as investigações. Depois de colher materiais na cena do crime, na casa do casal e outros procedimentos pertinentes ao caso, o delegado Herrera informou que o exame com luminol apontou vestígios de sangue no carro do suspeito, que está apreendido, e sobre o colchão. “Foram quantidades pequenas, mas pela investigação, o casal teve um desentendimento devido a ciúmes. Ele a estrangulou ainda no quarto, foi enrolada com saco plástico e levada ao local onde foi queimada, ainda viva”, afirmou o delegado. Herrera disse ainda que diante das provas verificadas no inquérito, imagens e depoimentos apontaram a autoria do marido de Deiviane Melo, William Sena. “Ele compareceu à delegacia e explicou a versão dele que em seguida, os investigadores saíram a campo e conseguiram desmentir tudo o que ele falou no depoimento do inquérito policial”, concluiu o delegado.  No dia 18 de março de 2016, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, Willian Sena da Silva foi preso e transferido para Uberlândia. Ele teve, conforme previsto em Lei, todas as oportunidades de defesa, mas esgotadas todas as argumentações, a Justiça decide que o vigilante vá a Júri Popular e que aguarde o julgamento, preso. Desde então, ele está recolhido no Presídio Professor Jacy de Assis. Willian foi acusado de homicídio qualificado por motivação fútil, uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, insidioso ou cruel e feminicídio, além da ocultação de cadáver. Durante todo o processo, o advogado de defesa chegou a defender a hipótese de inocência do seu cliente, alegando inclusive a existência de um provável amante. Outra alegação estapafúrdia foi uma dívida de R$10 mil em produtos que a vítima havia adquirido para trabalhar, tentando induzir para uma culpabilidade da cunhada de Deiviane, movida por inveja…

A Justiça foi feita?

Presidida pelo juiz Dimas de Paula, no Tribunal de Justiça de Uberlandia-MG, o julgamento durou mais de sete horas. Foram ouvidas testemunhas de defesa e de acusação, inclusive o próprio filho de 15 anos, o corpo de jurados chegou ou veredito: Willian Sena era mesmo culpado. A pena foi estabelecida em 17 anos de reclusão, em regime fechado. No salão do Juri os sentimentos se misturaram. Alívio, revolta e a sensação de injustiça. Muitas pessoas se questionavam: mais só isso? A pena foi justa? Não deveria ser pena máxima? Afinal foi um crime bárbaro, ele foi frio e só vai ficar preso 17 anos? E aí? Você acha que foi justo? Essas são perguntas com respostas bem variadas e que, certamente, vão encontrar muitas divergências. E para a família da vítima? Bem, lamentavelmente, não posso deixar de comentar. Qualquer pena impetrada à Willian Sena será pouca diante dos olhos e do coração de quem não poderá mais viver e conviver com Deiviane Melo. A dor e a saudade se misturam com a revolta e a “sede” de Justiça. Os familiares sentem um alívio misturado com tantos outros sentimentos que só mesmo o tempo poderá confortar, mas apagar, jamais. Mas, o papel dos membros do Judiciário foi feito, não há dúvidas, mas o direito do, agora condenado, tem de ser respeitado, está na Lei. E você o que pensa a respeito? Precisamos rever as Leis Brasileiras?

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