Mistério do homem do gelo

 

Aproveitando que a Rede Globo está exibindo, na teledramaturgia das 19h um caso de pessoas que teriam ficado congeladas há mais de 100 anos, gostaria de relembrar um fato verídico que aconteceu fora do Brasil, nos Alpes Austríacos há 27 anos…Então, vamos viajar no tempo? Era dia 19 de setembro de 1991, o relógio marcava 13h30. O casal Érika e Helmut Simon, da cidade de Nuremberg, Alemanha, estavam tranquilos passeando nos Alpes italianos, na fronteira com a Áustria, quando de repente resolveram pegar um atalho. determinados, suponho, eles prosseguiram adiante, imagino que até cansados, mas foram adiante. Quando passavam por uma ravina (leito) encoberta com água de gelo derretido, notaram algo diferente no caminho: tinha a cor marron, mais escurecida…A princípio, não deram muita importância ao fato, chegaram a pensar que se tratava de lixo, mas ao se aproximarem perceberam que era um corpo humano. Aí vem a pergunta: Será? Mas há quanto tempo estaria aquele “corpo” naquele local… A partir daí, começa o mistério e mais ainda a curiosidade, os estudos, as análises.

Descoberta

Com certeza, este casal marcou essa data e muito mais, ajudaram na história com o encontro mais inusitado. Sabe porque? Após recolherem tudo, nos laboratórios de análise mais incrementado,descobriram que era mesmo, comprovadamente, um corpo de cinco mil anos, uma das mais antigas múmias conhecidas. Só que tudo tem de ser catalogado pelos cientistas, até mesmo para manter a ordem cronológica e científica, conseguiram “batizar” aquela múmia que recebeu o nome de Oetzi (no lado italiano), ou Ötzi (no austríaco). Interessante esta divisão de países…Uma múmia com dois nomes, mas enfim, isso é apenas um detalhe.

Sem querer…

Inicialmente, o casal Simon acreditava que era um aventureiro azarado, perdido, que teria morrido alguns anos antes por qualquer causa, mas não era. Contudo, seis dias depois da descoberta, um arqueólogo observou um machado encontrado com o corpo e avaliou que teria, “pelo menos, 4 mil anos”. Na retirada do corpo não havia arqueólogos presentes. A retirada, aliás, não foi fácil. As primeiras tentativas fracassaram devido ao mau tempo e ao fluxo da água que escorria das montanhas em virtude do derretimento do gelo. A equipe que tentava tirar o corpo do local chegou a danificá-lo com uma broca. Da retirada, os arqueólogos viram apenas um vídeo.

Veracidade dos fatos

Somente entre os dias 3 e 5 de outubro uma investigação foi feita para determinar o local exato da múmia e para achar objetos do homem. Em 1992, uma nova análise arqueológica foi feita, dessa vez com equipamentos para derreter o gelo, o que facilitou bastante o trabalho. Os cientistas acharam fragmentos de pele, pelo, fibras musculares e até de unhas. Parte de um arco também foi recuperada, além de uma capa de pele de urso. Eles procuraram até acabar com as possibilidades de encontrar algum objeto.

Hipóteses e comprovações

Os pesquisadores acreditam que Oetzi foi coberto de neve e depois por gelo logo após sua morte. Isso porque o corpo resistiu a predadores e à decomposição. Eles acham que a múmia foi exposta ao ambiente somente por um breve período antes de sua descoberta, já que estava muito bem preservada. E a preservação foi um dos pontos que mais chamou a atenção. Era a primeira vez que se encontrava uma múmia tão antiga e ainda com roupa e objetos. Quatro instituições analisaram o corpo e os testes tiveram os mesmos resultados: Oetzi viveu entre 3350 a.C. e 3100 a.C. – ele já estava preso no gelo quando o faraó Quéops mandou erguer sua pirâmide. A descoberta logo virou notícia ao redor do planeta – o que gerou muita confusão, já que a múmia ainda não tinha um nome. Curiosamente, o nome Oetzi (ou Ötzi, no caso) foi dado pela primeira vez por um jornal de Viena, pelo jornalista Karl Wendl, já que ele foi achado próximo ao vale Otz. Oficialmente, ele se chama apenas “o homem do gelo”.

O corpo

Quando encontrado, Oetzi tinha 1,54 m e 13 kg. Ele era um homem e os pesquisadores acreditam, a julgar pela estrutura óssea, que tinha 45 anos. A julgar pela estatura média do neolítico, tinha por volta de 1,6 m. Era magro, com pouca gordura subcutânea – o que lhe daria cerca de 50 kg. O cabelo caiu todo durante o processo de mumificação, mas era escuro e ondulado. Ele ia pelo menos até os ombros. Outros pelos mais curtos foram encontrados, o que indica que ele certamente teria barba. Testes de DNA indicam olhos castanhos. Várias reconstruções da face foram feitas. A última, pelo Museu do Sul do Tirol, que se baseou nos estudos mais recentes da múmia. Os cientistas descobriram – usando, por exemplo, exames de imagem – que ele não tinha um par de costelas – uma anomalia rara, mas que não lhe causava problemas. Várias costelas estavam fraturadas, sendo que algumas do lado esquerdo do corpo eram mais recentes. Não se sabe a causa das fraturas na costela, mas as deformidades no crânio foram causadas pela pressão do gelo. Ele tinha um diastema (um espaço entre os dentes) entre os incisivos superiores. Outra curiosidade era a falta de sisos. O lado esquerdo do maxilar estava desgastado, o que indica que ele usava os dentes para trabalhar madeira, ossos e couro, por exemplo. Interessante, o corpo apresenta cerca de 50 tatuagens, geralmente linhas e cruzes. Segundo os pesquisadores, elas certamente eram um tratamento para aliviar a dor. Incrivelmente, as áreas tatuadas combinam com linhas de acupuntura, uma técnica que se acredita ter sido criada  dois mil anos depois, na Ásia. Para examinar o corpo por dentro, os pesquisadores fizeram aberturas nas costas da múmia e usaram instrumentos de titânio (para evitar contaminação por metais pesados). Os órgãos diminuíram consideravelmente de tamanho. Os pulmões estão escurecidos e cheios de partículas – o que indica que ele passou muito tempo em frente a fogueiras. A última refeição de Oetzi teve trigo selvagem (certamente em forma de pão, mas análises ainda são feitas), carne e vegetais. Aos 45 anos, ele certamente era um dos mais velhos de seu grupo. As juntas estavam gastas e as artérias endurecidas. Apesar de certo desgaste, os dentes estavam bem preservados. Seu estômago tinha ovos de parasitas (Trichuris trichiura). O cabelo indica uma quantidade de chumbo no corpo muito menor que a da população de hoje em dia, mas com uma quantidade bem maior de arsênio (o que indica que se envolveu com derretimento de metais e extração de cobre). Uma unha indicava que sofria de algum tipo de doença crônica. Três linhas na unha indicam que passou por períodos de forte estresse do sistema imunológico oito, 13 e 16 semanas antes de sua morte. A análise de DNA indica que ele se encaixa na população central europeia da época.

Quem era e como morreu Oetzi?

Quando vivo, o homem de gelo certamente era de uma família com alto status. Como os cientistas sabem isso? Por causa de seu machado – um símbolo de status na época. O que ele era exatamente, não se sabe. Julgando pelo que sabemos, ele pode ter sido um curandeiro que subiu a montanha atrás de ervas, ou um caçador (já que portava arco e flecha), minerador (julgamento pelo machado de cobre) e até um pastor em migração – uma profissão comum na época e que precisava de equipamento para viagens (o corpo tinha recipientes com comida) e do arco para caçar e para momentos de emergência. A última hipótese é suportada pelo fato de o local ser uma passagem entre os vales Schnals e Otz. Contudo, não foram encontrados restos de animais no local, nem na roupa. As costelas quebradas e outros danos no corpo suportam outra teoria: de que Oetzi estava fugindo. Os cientistas acreditam que ele possa ter levado uma flechada no abdome, mas, de alguma forma escapou de seus perseguidores. Ele chegou na ravina e agonizou nos últimos momentos, morrendo pelos ferimentos de seus perseguidores.

*Fonte e fotos: Museu do Sul do Tirol, na Áustria, Pinterest, Spacion Notícias 

 

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