Pode ser melhor, bem melhor…

Um dia normal, como outro qualquer. Você está em casa, no trabalho ou em qualquer lugar quando de repente chega um colega de serviço e, com um olhar de tristeza, diz que precisa falar com você ou que tem alguém ao telefone. Você pára, sente uma tensão no ar e também fica meio confusa, mas acompanha os acontecimentos. Do outro lado da linha a notícia: um ente sofreu um acidente de trânsito ou se envolveu nele. Na hora vem um turbilhão de pensamentos… e você quer entender o que, como e onde aconteceu. Só que o pior está por vir. Ele estava com sintomas de embriaguez e uma das vítimas morreu e a outra está em estado grave. E agora, o que fazer? Sei que o momento é de extrema complicação, que existem vários questionamentos, dor, revolta, tristeza, remorso, arrependimento, culpa…, mas o fato é: houve um crime. Infelizmente no Brasil as estatísticas não são das melhores. Além de várias infrações leves, moderadas e graves cometidas nas vias urbanas e nas rodovias, muitos motoristas ainda insistem em transgredir uma das mais severas: beber e dirigir. Neste caso, não podemos ser hipócritas e dizer que não há orientação, campanhas em todos os níveis. Existem sim e não são poucas, inclusive algumas bem “agressivas”, reais. E nesta luta toda a sociedade está envolvida: governos, imprensa, polícias, menos aquele cidadão ou cidadã que se sente acima do bem e do mal. “Comigo isso não acontece. Sou melhor quando tomo umas porque meus reflexos melhoram. Que nada, é pertinho, vou devagar…Não, foi só uma latinha, não dá nada”, entre outros absurdos que estamos acostumados a ouvir, ver, ler e até participar. Mexer no “bolso”, aplicar multas altíssimas, ser conduzido (preso), parece que nada disso faz com que alguns irresponsáveis mudem de atitude. Ainda se consideram “imbatíveis, deuses”. É muito triste, porque são famílias e até ele próprio(condutor/infrator), que sofre com as consequências dos atos impensados, imprudentes e talvez, irreparáveis. Precisamos mudar esta realidade. Não dá mais para ficarmos parados do tipo: não foi comigo, não conheço…Pare e pense: eu e você nunca passamos por situações parecidas? Como autores ou co-autores? Tenho certeza que houve transformação na minha e na sua vida, então é possível que ocorra a mesma coisa com outros que querem mudar esta triste estatística. A gente nunca sabe o que virá amanhã. Cada um de nós tem família, filhos e nós mesmos estamos susceptíveis a isso. Creio que se colocar no lugar do outro é um bom começo para transformar. E aí, vamos aproveitar este dia 25 de setembro e lançar a semente ou plantá-la em nós mesmos? Eu lanço esse desafio e você? Aqui é Cassia Bomfim e viva a liberdade de expressão.

transito Detran

Estatísticas:

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,25 milhão de pessoas morrem, no mundo, por ano em acidentes de trânsito, e desse total metade das vítimas são pedestres, ciclistas e motociclistas. Levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontou um aumento de 137% nas infrações que envolvem a Lei Seca durante os 10 anos da legislação. Considerando o número entre janeiro a maio de 2008 ao mesmo período deste ano, as infrações subiram de 4.131 para 7.196. O relatório da PRF considera que as diversas atualizações na lei favoreceram os dados estatísticos. Entre eles, o valor da multa, que começou a ser cobrada por R$957,70 e hoje chega a R$1.915,40 passando a R$3.3830,80 para reincidentes. A mais recente atualização, em 2012, incluiu a possibilidade de provar a embriaguez dos condutores com imagem e vídeo.  Desde 2008 o limite do nível de álcool no bafômetro foi fixado em 0,06 gramas de álcool por decilitro de sangue (mg/L) e 0,34 mg/L no ar expelido – o que equivale a uma taça de vinho, por exemplo. Apesar da lei, ainda é um costume dirigir após a ingestão de álcool. Nos 10 anos da lei morrem 4.101 pessoas devido a acidentes (15.448 ao total) que envolveram a infração. Apenas neste ano, foram 130 mortos nas rodovias do país e 552 acidentes.

 

 

*Capa: Arte sobre fotos de Erasmo Salomão/Min. da Saúde e Cecília Bastos/USP Imagens e demais fotos são de arquivos pessoal e de divulgação do Detran e PRF 

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