Doar órgãos é salvar vidas

 

 

Ele é um garotinho muito esperto, lindo e cheio de esperança. Ele espera um futuro melhor, uma vida mais digna para todos. É o Gustavo Wirley Peixoto, 12 anos, mas com uma cabeça de 30. Filho de um casal muito conhecido da nossa família, este guerreiro sabe muito bem o que é esperar… Nasceu com um grave problema no coração que não obteve resultados satisfatórios com tratamento medicamentoso. Com o agravamento do estado de saúde, os médicos chegaram a conclusão de que a solução é o transplante. De lá para cá, Manoela e Luiz Henrique, lutam contra o tempo para salvar o filho. Ela é professora e o marido técnico em computação. Vieram de Paraopeba-PA, ainda solteiros. Casaram-se aqui e o sonho era ter um filho. Gustavo chegou rodeado de alegria, mimos, cuidados e muito amor. Com a permissão deles, estou resumindo um pouco da história dessa família abençoada, mas sem expôr a criança. Depois de muitas idas e vindas a cardiologistas e hospitais, até fora de Uberlândia-MG, conseguiram diagnosticar a doença de Gustavo: Miocardiopatia Dilatada. É uma doença do músculo do coração que impede o bombeamento adequado de sangue para o corpo, causando complicações como arritmias, coágulos de sangue e morte súbita. A Miocardiopatia Dilatada afeta principalmente o ventrículo esquerdo, uma importante câmara de bombeamento do seu coração. O ventrículo esquerdo torna-se ampliado (dilatado) e as fibras musculares se esticam ao máximo, tendo dificuldade maior de se encurtar e comprimir o sangue para fora. Com todos os cuidados necessários, os pais, orientados pelo médico, buscam proporcionar uma vida saudável e tranquila para o garoto. Entretanto, Gustavo é mais uma pessoa que aguarda transplante. “Sou uma pessoa do bem. Creio em Deus, em primeiro lugar e tenho fé de que em breve iremos vencer essa batalha. Por isso, quero pedir a todas as pessoas que tiverem condições que sejam doadores, não apenas de coração, mas de órgãos em geral, porque gente, um gesto desse é, para mim, uma grande forma de amar”, disse Manoela. Aqui, a gente continua na torcida por essa família e outras que vivem o mesmo drama, mas infelizmente, nem todas conseguem um desfecho feliz.

O que pode impedir uma doação

O Brasil tem motivos para celebrar o Dia Nacional da Doação de Órgãos – 27 de setembro. A rede pública de transplantes do país é uma das mais organizadas e eficientes do mundo, e o número de doadores cresceu desde que a legislação sobre o tema entrou em vigor, há cerca de 20 anos. Mas como tudo sempre pode melhorar, o país ainda tem o desafio de reduzir as filas que impõem a milhares de famílias o sofrimento da espera por um doador. Chegamos à marca de 16 doadores efetivos por milhão de habitantes (há duas décadas, ficava entre seis e sete doadores por milhão de habitantes), mas vislumbramos alcançar países como Espanha, Estados Unidos, Portugal e França, onde essa proporção dobra. Falta de solidariedade e empatia? Medo? Preconceito? Nada disso. O que mais pesa na decisão de doar órgãos, segundo médicos e especialistas que atuam na rede de transplantes, é a falta de informação. Por isso é fundamental a realização de campanhas que esclareçam a população sobre o tema. O número de transplante de órgãos no Brasil aumentou em 15,7% no primeiro semestre de 2017, se comparado com o mesmo período do ano passado. Com essa porcentagem, o País se mantém em um nível intermediário em um ranking de doações no mundo. Falar que a doação de órgãos é tabu não é verdade. O grande problema é a falta de esclarecimento em relação às doações, do que propriamente um tabu. Quando as pessoas são esclarecidas, elas entendem e se posicionam a favor. A Espanha, por exemplo, é o país campeão em doação de órgãos e tem política governamental muito forte em apoio à causa. O Brasil está no nível intermediário de doações, com 16,2 doações pmp (por milhão de população) por ano e os mais desenvolvidos, 35 pmp em média.

 

 

Órgãos e doações

Dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos)  ainda mostra que houve crescimento nos transplantes de rim (5,8%), fígado (7,4%) e córneas (7,6%) e diminuição nos transplantes de coração (3,6%), pulmão (6,5%) e pâncreas (6,0%). Pela primeira vez, desde 2011, o transplante cardíaco deixou de crescer, com queda de 3,6%, mas espera-se recuperação do índice no próximo semestre. O transplante pulmonar também diminuiu (6,5%) e é realizado em apenas três Estados no Brasil (RS, SP e CE). Em junho, 32.952 pessoas estavam na fila de transplantes de órgãos no Brasil. A primeira coisa que o transplantado tem que fazer, assim como qualquer outra pessoa, é seguir um estilo de vida saudável, se alimentar bem, se hidratar, não fumar, não beber, praticar exercícios físicos, controlar o peso e a pressão arterial. A segunda coisa é fazer os exames periódicos, ir nas consultas e nunca deixar de tomas os medicamentos imunossupressores, que previnem a rejeição. Você sabia que os órgãos retirados de uma pessoa saudável que sofreu morte cerebral podem beneficiar pelo menos nove pessoas, que podem receber coração, pulmões, rins, fígado, córneas, pâncreas. Apesar dos avanços, o trabalho está longe de terminar. No fim do ano passado, mais de 32,4 mil pacientes adultos estavam na fila de espera por um órgão, além de outras mil crianças que também aguardam um transplante. A grande maioria deles (30 mil adultos e 785 crianças) aguardavam rins ou córnea.

 

Você deve optar pela doação de órgãos

A doação de órgãos (rim, fígado, coração, pâncreas e pulmão) ou de tecidos (córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue de cordão umbilical) é um ato pelo qual manifestamos a vontade de doar uma ou mais partes do nosso corpo para ajudar no tratamento de outras pessoas. Em vida, é possível doar órgãos como o rim, parte do fígado e da medula óssea. A doação de órgãos de pessoas falecidas só acontece após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica. No Brasil, cerca de 30 mil pessoas esperam por uma doação e o número de doadores, felizmente, vem crescendo a cada ano.

 

 

É simples ser um doador de órgãos

Quando o doador ainda é vivo, ele precisa ser maior de idade e seu receptor deve ser um cônjuge ou parente (avós, pais, tios, filhos, irmãos ou primos). Se não houver parentesco, a doação só pode ser realizada mediante autorização judicial. Para o doador falecido, basta ter deixado um comunicado à família, que será a responsável por autorizar a remoção dos órgãos. O comunicado não precisa ser escrito. As manifestações de vontade que constavam na carteira de identidade ou de motorista não têm mais validade, após a Lei nº 10.211/2001. Atualmente, temos uma avançada área de transplantes e muitas pessoas podem ser doadoras, inclusive pessoas mais velhas.

O sistema de distribuição é transparente

Existe um programa nacional de transplantes. A fila de espera de pacientes na doação de órgãos é organizada por estado e é influenciada por vários fatores como: tipo de órgão que o receptor necessita, gravidade da doença, tempo de espera e tipo de sangue. Conforme informações da ABTO, “cada Estado tem uma Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos que coordena a captação e a alocação dos órgãos, baseada na fila única, estadual ou regional. Médicos e pacientes têm acesso às atualizações da fila pela internet, o que torna a distribuição transparente. Em outras palavras, não há privilégios, uma vez que a lista é pública e a maioria, cerca de 90%, dos transplantes são realizados pelo SUS.

Um corpo salva várias vidas

Um doador tem a capacidade de salvar e de melhorar a qualidade de vida de inúmeras pessoas. Se considerarmos o doador de órgãos falecido, teremos pessoas que serão beneficiárias com coração, pulmão, pâncreas, rins, fígado, ossos, córneas e outros tecidos.

A doação de órgãos não interfere na aparência do doador

Uma preocupação comum entre as pessoas é saber se a doação de órgãos interfere na aparência do doador e se desfigura o corpo por causa da remoção. A aparência dele permanecerá exatamente a mesma na urna funerária, uma vez que, para remover os órgãos, é feita uma cirurgia semelhante à remoção de apêndice ou a de vesícula biliar. Vale destacar que o doador também pode ser cremado.

Não há custo para a família

A família do doador de órgãos não tem qualquer responsabilidade com os custos relacionados à doação, assim como o receptor, que não precisa pagar pela cirurgia de transplante. Quando se está na fila de espera por um órgão, o receptor não é privilegiado ou desprivilegiado devido à sua condição social ou financeira. Todos os custos dos procedimentos de transplantes de órgãos são arcados pelo SUS que também é o responsável pelo fornecimento, durante toda a vida do receptor, das medicações que evitam a rejeição do órgão transplantado.

Existe uma Lei de Doação de Órgãos

Todas as regras relacionadas à doação de órgãos não são tiradas dos hospitais ou dos profissionais de saúde. O Brasil possui uma extensa regulamentação a respeito da doação, como as resoluções dos conselhos de medicina e a Lei Federal nº 9.434/97, modificada pela Lei nº 10.211/2001. O doador não está desamparado legalmente pelo seu ato. Pelo contrário, muitas normas tutelam a situação para torná-la rígida e parametrizada, visando sempre a saúde dos envolvidos.

As religiões não proíbem a doação de órgãos

Apesar dos diversos entendimentos sobre a morte, que variam conforme a cultura do local e a religião professada, não se tem conhecimento de que alguma religião se posiciona de forma contrária à doação de órgãos. Pelo contrário, os princípios de caridade, solidariedade e amor ao próximo são comuns à todas as religiões tradicionais e, coincidentemente, são as principais características do ato de doar. Crenças que não permitem a transfusão de sangue e outras que não se manifestam abertamente favoráveis à doação, relegam à pessoa a decisão de ser ou não uma doadora de órgãos. Por isso, a informação correta é o mais importante para este ato de amor.

*Fonte e fotos: Minstério da Saúde, Parque Renascer, Bruna  Porciúncula, UOL,ABTO

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