Dia das Bruxas – tem certeza?

Começo minha publicação, especificamente de hoje 31/10, com algo que já escrevi antes: Ninguém é tão ruim, que não possa fazer algo bom na vida; em contrapartida: Ninguém é tão bom, que nunca tenha cometido uma maldade, pelo menos uma vez na vida. Isto é aceitável porque somos humanos e falhos, por isso, quando falamos em bruxas, normalmente vem o pensamento das estórias em que elas são maquiavélicas, feias, narigudas, cheias de atitudes e roupas sombrias…Se analisarmos por este ângulo, sim. Agora, sinceramente, o melhor mesmo é fazer o bem, mesmo que encontremos resistência e até uma pontinha de desânimo, mas no final, o coração agradece. Então, porque 31 de outubro é o Dia das Bruxas?

Fatos registrados

Dia 31 de outubro, antecede, por força da tradição, dias de orações aos santos e aos mortos. Em virtude disso, a história e as lendas dizem “que é o dia em que as assombrações tentam voltar à vida, que é o dia de rezar para os mortos de todas as famílias, que a civilização Celta por volta do século V (a. C). Recordava o início do inverno (estação da escuridão), que é o dia de se celebrar os Mortos, cujo símbolo máximo é a bruxa etc.” Nos países de língua inglesa trata-se de uma festa (Halloween). O chamado Dia das bruxas não é utilizado por esses povos, sendo essa, uma designação de alguns povos latinos (por exemplo, de língua portuguesa). A crença nos feitiços e nas feiticeiras, continua até hoje. O ser humano, desde a pré-história, acredita em magia, poções mágicas, gatos misteriosos, vassouras voadoras, artes macabras, feiticeiras voadoras, curandeiros, magos, forças do mal, mal olhado, força dos mortos, etc. Lá na pré-história acreditava-se que a magia proporcionava sucesso à caça.

 

Não se conta a história da humanidade sem mitos, magias, mágicas e forças sobrenaturais. O ser humano sempre teve a pretensão de interferir nos acontecimentos da natureza assim como de manipular as forças planetárias ou seus semelhantes. Quanto menos as pessoas conhecem os avanços das ciências, quanto menos sabe do Renascentismo e do Iluminismo, mais sugestionáveis e supersticiosas são.  Historicamente se sabe que existe o uso de forças sobrenaturais para o bem e para o mal (daí a distinção entre “bruxas brancas” e “bruxas negras”). Comparativamente aos fatos bons, a memória humana tem muito mais facilidade de registrar o mal, o doloroso, o sofrimento, o macabro, o terrorífico, o opressivo. E se o bem, desde a Antiguidade, é ligado à beleza e, o mal, à feiura, claro que as bruxas teriam que ser feias, mal cuidadas. A cultura da Idade Média (vigente até hoje) jamais chamaria uma Gisele Bündchen de bruxa.

 

A Igreja (católica) fez as pessoas acreditarem que elas estariam atreladas às artes macabras. Durante a Inquisição foram tidas como as inimigas preferenciais. Mais de 100 mil foram trucidadas. Elas usariam vassouras porque são o instrumento de limpeza da casa. E à mulher, na Idade Média, cabia precisamente fazer isso, na medida em que ela não podia frequentar as Universidades. Os voos das feiticeiras está ligado às plantas alucinógenas que elas usavam (quem tinha contato com essas “artes” ficava com a sensação de que voava). Houve um feiticeiro (Jerome Liébana) que conseguiu convencer a corte de Filipe IV de que haveria a fórmula da invisibilidade e que existia um baú enterrado numa praia de Málaga, no sul da Espanha, onde estaria um gênio que daria muito poder a quem o encontrasse. Tudo foi escavado e nada foi encontrado. Para ter mais poderes o ser humano é capaz de tudo. Os falsos magos continuam até hoje em razão do ignorantismo e do fato de os seres humanos serem facilmente iludidos. A bruxaria foi o grande pretexto inquisitorial para a Igreja da Idade Média combater não as bruxas, mas o ateísmo. Não há outra maneira de acabar com a bruxaria senão com o Iluminismo, as ciências, o conhecimento. 

 

Proclamação do Evangelho

No dia 31 de outubro também é o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho. Nesse dia “dar-se-á ampla divulgação à proclamação do Evangelho, sem qualquer discriminação de credo dentre igrejas cristãs”. A data foi instituída no dia 12 de janeiro de 2016, por Lei – sancionada pela então presidente Dilma Rousseff  – o 128º da República. Em 1890, observa o historiador Leandro Karnal, ficavam oficialmente separados Estado e Igreja Católica e instituía-se a liberdade de culto. Mas todas as Constituições posteriores à de 1891 foram colocadas sob a proteção de Deus. Crucifixos no Senado, na Câmara, no STF, mostram uma “separação imperfeita”, segundo o professor da Unicamp. Ele diz que é um bom momento para se voltar ao tema “do que é e quais os limites do Estado Laico”. Karnal lembra que Getúlio Vargas, ateu, deu liberdade para que terreiros de candomblé fossem invadidos pela polícia. E participou ativamente da inauguração do Cristo Redentor, em 1931. “O fato mostra como estes temas eram delicados”, escreveu. Leandro Karnal considera que o crescimento de bancadas parlamentares identificadas com expressões religiosas específicas traz novamente à tona o debate sobre a laicidade do Estado.

evangelho

*Fonte: Artigo de Luiz Flávio Gomes, Leandro Karnal (historiador)

Um comentário sobre “Dia das Bruxas – tem certeza?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s