Novembro azul – Prevenção sem preconceito

Técnico Administrativo, 25 anos, simpático e bem reservado, Augusto César de Souza, que não gosta de aparecer, resolveu contar sua experiência com o objetivo de conscientizar os homens da importância do autoexame. Ele travou uma luta contra um câncer de testículo. Após ignorar os sintomas por mais de um ano, o jovem resolveu tomar uma atitude. Afinal, seu corpo indicava não estar tudo bem. Com o tempo, percebeu um incômodo no testículo direito e que estava diferente, havia uma camada branca por fora do testículo. Além disso, Augusto César contou que após manter relações sexuais, ficava com muita dor e percebeu um enrijecimento do testículo, bem como o aumento do órgão. Qualquer toque era sentido e até usar calça jeans tornou-se um martírio. Não perdeu mais tempo. “Não dava para adiar e me consultei com um urologista. Realizei exames de sangue, tomografia e ultrassonografia. Um dos testes constatou o pior: poderia ser câncer. O procedimento consistia em retirar o testículo e, só então, realizar a biopsia, para evitar o contágio do outro. O resultado apontaria um tumor maligno, mas eu ainda não sabia. Estava de viagem marcada e, imaginando o diagnóstico, só queria receber a notícia na volta”, relembra. Nas duas semanas viajando por Buenos Aires, Augusto viu seu órgão triplicar de tamanho. O fato de ter esperado muito fez o testículo se romper durante uma relação sexual. Ao chegar no hospital, sentia uma dor insuportável, mas os exames nada detectaram. Por ter plano de saúde, Augusto conseguiu se tratar rapidamente.

 

 

A hora da verdade

O urologista constatou o rompimento e a infecção em todo o canal inguinal. Augusto tomou morfina até o dia da cirurgia, realizada três dias depois. O procedimento durou duas horas e, por causa da infecção, não colocou a prótese de testículo – o corpo poderia rejeitá-la. No dia seguinte, deixou o hospital e ficou em repouso por 60 dias. No retorno ao oncologista, refez os exames de sangue e todos os marcadores estavam normais, mas o especialista pediu para observar possíveis dores nas costas, pois eram sinais de metástase. A mãe do rapaz alertou o médico que isso já estava acontecendo. Uma tomografia de corpo inteiro indicou o inesperado: nódulos nos pulmões e gânglios. Foi preciso começar um tratamento de quimioterapia.

 

Efeitos colaterais

Durante a quimioterapia, o técnico administrativo sentiu fortes efeitos colaterais. Nos primeiros dias, ele achou o processo muito difícil e chegou a cogitar não concluir o tratamento. Quando os cabelos caíram, Augusto sentia o couro cabeludo queimando, incomodando e coçando. Muito apegado aos fios, teve problemas de autoestima. A filha de 3 anos, Lis, o ajudou bastante a passar pelo processo: “O primeiro tufo caiu e ela começou a rir. Com a gargalhada dela, o desespero diminuiu e eu ri junto”. Após três ciclos de quimioterapia, cada um com sete aplicações e duração de 21 dias, todos os nódulos foram eliminados. Os exames confirmaram que Augusto estava curado. O técnico administrativo ainda precisa de acompanhamento por toda a vida para garantir o não reaparecimento da doença em algum outro local. Ele mesmo mudou completamente a alimentação e está praticando exercícios regularmente.

 

Alerta

Sua parte depois de tudo isso é tentar atingir e conscientizar o maior número possível de homens. O pai de Lis fala da importância de ir ao urologista. “Não tem nada de vergonhoso em procurar um especialista, realizar o exame de toque, encostar em seu testículo. Essa é a única maneira de verificar se algo está errado, deixe o machismo de lado”, diz. “Nos períodos difíceis, você consegue ver quem está ao seu lado. Minha mãe, meu irmão e minha namorada me apoiaram muito. Recebi um acolhimento enorme e, agora, quero ser uma pessoa melhor para os outros”, concluiu.

Brasília (DF), 17/04/2018  - Retranca: CÂNCER DE TESTÍCULO-  Local Onco-Vida   Foto: JP Rodrigues/Metrópoles
Fotografias: JP Rodrigues/Metrópoles

Câncer de Próstata

O câncer de próstata, tipo mais comum entre os homens, é a causa de morte de 28,6% da população masculina que desenvolve neoplasias malignas. O Novembro Azul surgiu na Austrália, em 2003, com o objetivo de conscientizar a importância da prevenção do câncer de próstata e o mais importante sem preconceito. No Brasil a campanha Novembro Azul foi criada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, em que um dos maiores objetivos da campanha é o mesmo da campanha da Austrália, quebrar o preconceito masculino, quanto a exame. Aqui, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca), um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata.

O que é próstata

É uma glândula do sistema reprodutor masculino, que pesa cerca de 20 gramas, e se assemelha a uma castanha. Ela localiza-se abaixo da bexiga e sua principal função, juntamente com as vesículas seminais, é produzir o esperma.

 

Sintomas:

Na fase inicial, o câncer de próstata não apresenta sintomas e quando alguns sinais começam a aparecer, cerca de 95% dos tumores já estão em fase avançada, dificultando a cura. Na fase avançada, os sintomas são:

  • dor óssea;
  • dores ao urinar;
  • vontade de urinar com frequência;
  • presença de sangue na urina e/ou no sêmen.

Fatores de risco:

  • histórico familiar de câncer de próstata: pai, irmão e tio;
  • raça: homens negros sofrem maior incidência deste tipo de câncer;
  • obesidade.

 

Prevenção e tratamento

A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce. Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem estes fatores, devem ir ao urologista para conversar sobre o exame de toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos, e sobre o exame de sangue PSA (antígeno prostático específico). Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração no toque retal. Outros exames poderão ser solicitados se houver suspeita de câncer de próstata, como as biópsias, que retiram fragmentos da próstata para análise, guiadas pelo ultrassom transretal. A indicação da melhor forma de tratamento vai depender de vários aspectos, como estado de saúde atual, estadiamento da doença e expectativa de vida. Em casos de tumores de baixa agressividade há a opção da vigilância ativa, na qual periodicamente se faz um monitoramento da evolução da doença intervindo se houver progressão da mesma.

 

 

*Fontes e fotos: Agência Brasil, Sociedade Brasileira de Urologia e Jornal Metrópoles (copilado do depoimento de um personagem 21/04/18)

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